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Libertando-se do emburrecimento

Libertando-se do emburrecimento

O Jack Ma, fundador e CEO do potal de e-commerce Alibaba, afirmou em seu discurso no WEF – World Economic Forum, ontem dia 24/01/2018, em Davos – Suíça, que a quarta revolução industrial realmente irá extinguir diversos postos de trabalho, como já vem ocorrendo na Alemanha por exemplo. E que se as máquinas fazem algo melhor que os humanos, significa que os humanos precisam rever o que saber fazer e como fazem. Ele focou o seu discurso na educação, especificamente na necessidade de quebrarmos paradigmas na educação.

 

Segundo a matéria publicada pela revista Época Negócios:

Para o bilionário, os professores precisam parar “de ensinar conhecimento” e passar a investir na educação de “algo único”, que a máquina não possa copiar. Olhar para as habilidades comportamentais – e não técnicas – chamadas de “soft skills”. “As soft skills que precisamos ensinar às crianças são: valores, pensamento independente, julgamento, trabalho em equipe, cuidado pelos outros”.

 

Faço parte da academia há 11 anos, e conheço o sistema. É o desafio de ter uma empresa de educação rentável, e ao mesmo tempo com qualidade. Algo muito complexo para nós brasileiros, mas que já foi resolvido pelas universidades americanas há pelo menos 20 anos. A economia local está diretamente relacionada com o potencial intelectual e produtivo da população. A busca pelos lucros deve respeitar, prioritariamente, a qualidade do ensino nas salas de aula. Não se pode mais confundir o aluno com o cliente, pois o aluno, aquele que quer ser transformado pelo poder do conhecimento, pode se tornar cliente da instituição de ensino. Mas querer transformar o cliente em aluno é uma inversão ilógica de valores.

 

Continuo acreditando no poder da educação, mas não acredito no poder da informação. Repassar informação, o Google é e sempre será melhor do que o melhor dos professores. Mas quando o assunto é explorar as fronteiras do pensamento, a ética, política, valores, justiça, criatividade, liderança, gestão de pessoas, dialética, aí amigo, tem que ser gente que goste de pensar e que entenda a estrutura do pensamento.

 

A sala de aula é para desafiar o aluno à explorar outras maneiras de organizar o pensamento, criticar,debater, rever pontos de vista, fundamentar outros, abrir mãos de alguns e reorganizar o pensamento. É resgatar sim as teorias de grandes pensadores e que nos ajudam a compreender melhor a nossa história. Mas também é criticar tais pensamentos.

 

Na idade média, as artes liberais referiam-se às profissões da época, exercidas pelos homens livres, e às disciplinas que eram ensinadas na academia. Tal estrutura programática era composta pelo Trivium (gramática, dialética e retórica) e Quadrivium (aritmética, música, astronomia e geometria).  Este programa era a antítese do programa educacional dos escravos, Mechanicae (artes mecânicas). Trivium concentra o estudo do texto literário por meio de três ferramentas de linguagem pertinentes à mente. Sobre o Trivium  Durkheim afirma que:

trivium tinha por objetivo ensinar a própria mente, isto é, as leis às quais obedece ao pensar e expressar seu pensamento, e , reciprocamente, as regras às quais deve sujeitar-se para pensar e expressar-se corretamente. Tal é, como efeito, a meta da gramática, da retórica e da dialética. Esse triplo ensino é, pois totalmente formal. Manipula unicamente as formas gerais do raciocínio, abstração feita de sua aplicação às coisas, ou como o que é ainda mais formal do que o pensamento, ou seja, a linguagem. (DURKHEIM, 1995. p.52)

O Quadrivium engloba o ensino por meio de quatro ferramentas relacionadas à matéria e à quantidade. O seu objetivo era tornar conhecidas as realidades externas e suas leis, leis dos números, lei di espaço, lei dos astros, lei dos sons. Assm, as artes eram chamadas de artes reales ou physica.  Acreditava-se na idade média que mediante o domínio das sete artes liberais, o homem seria capaz de produzir obras e ideias com poder de elevar o espírito humano para além dos interesses puramente materiais, rumo a um entendimento racional e livre da verdade.

 

É tempo de interromper o período clássico de emburrecimento. Agora com um conceito ampliado de humanidade, sendo incabível qualquer natureza e modalidade de escravidão, cabem às máquinas o Mechanicae, ou seja, o trabalho pesado, mecânico e repetitivo. Para isso, o modelo educacional precisar resgatar o Trivium e Quadrivium, que agora, no século XXI, são chamados de Soft Skills. Precisa-se de pessoas que reaprendam a pensar e a fazer o trabalho que as máquinas não fazem, chegando ao mercado de trabalho mais preparadas, atendendo à demanda empresarial de colaboradores mais bem preparados, ajudando a puxar pra cima a economia. Tudo começa com a educação. Mas pra isso, é preciso interromper o ciclo de emburrecimento coletivo.

Robson Vitorino é diretor executivo da Maxta, especialista em Gestão de Pessoas e Produtividade, professor de cursos de MBA, autor do livro “Reflexões de um Estrategista” pela Chiado Editora.

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